Pendências da Vida

passaro.gaiola2Chegamos ao fim de mais um ano e já nos enchemos de planos para o ano que ainda vai começar. Prometemos, juramos, anunciamos tudo aquilo que nos propomos a fazer, mas o que fazemos com o que ficou? O que fazer com as ações não tomadas, as palavras não ditas, os abraços não dados?
Só há uma coisa a fazer: fazer!
Nenhum pensamento, nenhuma ideia, nenhuma promessa se sobrepõe à ação. Não existe fórmula mágica que faça os desejos se materializarem a não ser a ação!
Pare de se justificar, pare de se explicar, pare de se desculpar pelo que não fez. Apenas faça!
Não sonhe com uma vida melhor. Viva.
Não sonhe em encontrar um amor. Ame quem estiver ao seu lado.
Não sonhe em ser rico. Seja e pare de mendigar atenção. Você não precisa disso.
Você só precisa agir, fazer, acionar, dar o primeiro passo.
Você precisa vencer a inércia!
Feche os ciclos antes de abrir outros, caso contrário, seguirá carregando pendências até que 2016 vire 2017, 2018, 2019, 2020…
Você pode sentar e chorar ou levantar a cabeça e seguir em frente.
Já dizia o sábio: ação é melhor que perfeição.
Eu te convido a fazer de 2016 O MELHOR ANO DA SUA VIDA!

#avidaébarbara

Anúncios

Nina e Sheik

Nina e Sheik8 patas. 2 pares de orelhas compridas e muito, muito pelo. Uma branca com manchas marrons e o outro cor de caramelo. Nina e Sheik, meus dois cockers. Minha primeira família quando fui morar sozinha. De uma certa forma, ela foi abandonada e ele também. Já não cabiam mais nas novas estruturas das antigas famílias. Eu os recolhi, os amei e cuidei deles da maneira que pude. Eles me amaram, me protegeram e, seguramente, cuidaram muito melhor de mim.

Nina se foi com 13 anos, Sheik, beirando os 15. Ambos velhos, ambos ainda fascinados pela minha presença. Sheik mordeu uma colega, uma ex-cunhada, uma estranha no pet shop, meu marido e rosnou para a minha filha. Nunca, nem sequer uma única vez, ousou mostrar os dentes para mim. Nina nunca mordeu ninguém e quanto a mim, costumava lamber meus pés…

Meus cachorros me ensinaram a ser mais humana. Nina me ensinou a docilidade, o companheirismo, a serenidade e a paciência. Sheik me mostrou a coragem, a força, a determinação e a fidelidade.

Nina e Sheik foram meus confidentes. Estiveram comigo enquanto eu encarava a vida sozinha. Me viram sorrir e chorar, me levaram para passear à meia-noite, dormiram comigo no parque e deram muitas voltas no quarteirão. Confesso que depois de casar e ter uma filha, parei de lhes dar tanta atenção. Eles compreenderam e me respeitaram. Esperaram até eu perceber que eles também eram minha família.

Ambos me deram o privilégio de lhes servir nos últimos momentos. De lhes ser útil, de lhes ser fiel.

Nina e Sheik foram meus irmãos, meus filhos, meus companheiros, meus anjos da guarda.

Nina e Sheik passaram por esse mundo e ficaram em mim!

Pelos seus olhos

olhos

Pequena, não se deixe enganar pelos números: 37, 45, 52 anos não indicam a sua verdadeira idade. Você é infinita! Não fique brava se a vida não reflete o que você quer. A vida não é boa e é má. A vida é o reflexo do seu estado de humor. Pelos seus olhos a vida brilha ou se perde num gigantesco breu. Ficar triste é bom. Ficar alegre também é bom. Saudar o dia é bom. Chorar à noite também é bom. Tudo é bom! Mas se for do seu gosto, tudo pode ficar ruim. O controle remoto das emoções está nas suas mãos. No seu coração, para ser mais exata. Dele emanam as mais diversas vibrações que invadem o universo. O uni e o verso. Guarda teus dias do rancor desnecessário e poupa o mundo de palavras indesejadas. Ainda que proferidas pela boca de uma criança, elas machucam. Ao invés de negar o que É, aceita! Se vista de rainha quando for conveniente e se cubra com o lençol rasgado quando for necessário. A vida é feita de fases. Encena a tua linda história, mas nunca se confunda com os personagens. Você não é, você ESTÁ! O que você É não tem nome, não pode ser classificado, quantificado, categorizado. Você é a mais linda criação de Deus. A sua essência transcende a capacidade de entendimento da razão. Você é a mais bela poesia já criada pelo Pai. E tudo o que você percebe ao seu redor; o sol, o mar, a lua, as estrelas, e tudo mais, só existem para rimar contigo. Você é a própria Vida. E a vida, pra você é bárbara!

Perfeicão

india

Viajarei para o outro lado do mundo para descobrir que tudo é perfeito. Aqui, lá e em todos os lugares. A perfeição de Deus se manifesta em absolutamente tudo, da menor formiga à grandiosidade do Taj Mahal.

A desarmonia não está no que vemos, mas nos nossos próprios olhos. Antes de viajar para a Índia muitos me advertiram que eu veria muita pobreza e imundice. Não coma, não beba, não sente, não confie! Deus sussurra no meu ouvido: “por que não comer o banquete que Eu preparei para você com tanto amor? Não se deixe enganar pelas aparências, sem elas, você não conseguiria Me perceber. Feche os olhos da carne e abra os olhos do espírito e você perceberá, EU ESTOU LÁ!

Aceitar a perfeição é quase tão difícil quanto aceitar as dificuldades. Por várias vezes passei por situações difíceis e procurei buscar a lição por trás de tudo, mas que aluna eu seria se passasse o resto da minha existência repetindo a mesma lição? Está na hora de aprender a receber. Da vida, das pessoas, de mim mesma. Sempre de Deus.

Também está na hora de aprender o quanto o tempo é relativo. Embarcarei para a Índia em poucas horas, com a expectativa de um futuro muito próximo. Quando esta revista chegar até você, minha viagem já será passado. Assim como tantos sonhos que tive e tenho, cheios de expectativa e quando me dou conta, já se realizaram.

O tempo entre o sonho e realização é o tempo da nossa aceitação. Demorei alguns anos para aceitar que essa viagem seria possível. E também para aceitar a sua opinião. Peço do fundo do meu coração que você se manifeste. Diga o que pensa e se eu consigo me comunicar com você. O e-mail está lá em cima, mas a gratidão fica aqui mesmo no final.

Obrigada por compartilhar comigo um pouquinho da sua existência e da sua atenção. Quando eu escrevo, eu sei que você está do outro lado e é por isso que eu espero que você possa sentir todo o amor que lhe envio agora. Se fechar os olhos da carne e abrir os do espírito, quem sabe não perceba que ele não vem de mim, mas Dele!

PS: esse texto será publicado na edição de dezembro da revista Hype.

Independência e Morte

Meu grito de independência não aconteceu às margens do rio Ipiranga, nem na esquina da São João com a Ipiranga e muito menos num posto de gasolina da marca Ipiranga.

Meu grito de independência não aconteceu num 7 de setembro e nem em nenhum outro feriado nacional. Foi num dia qualquer e só eu o ouvi.

Para me manter independente, meu grito segue reverberando continuamente por dentro de mim. Se ele se cala, corro o risco de achar que dependo da opinião e da aprovação dos outros para ser feliz.

Isso seria a morte!

Meu grito de liberdade é o eco da voz de Deus que sussura em mim. Para ouvi-lo, é preciso antes calar todas as outras vozes do passado que insistem em me dizer o que certo ou errado, o que devo ou  não devo fazer, o que os outros esperam de mim para que eu possa ser amada.

Calar essas vozes é assumir que agora, sou a dona do meu próprio caminho. É abrir mão de ser filha, seguidora, criatura.

É morrer para o que já não me cabe mais…

Como todo processo de morte, vivencio a dor da perda. Deixo as lágrimas correrem debaixo do chuveiro e seguirem para o ralo. Assim, elas se direcionam à fonte e reintegram o ciclo infinito da vida.

Minha liberdade me permite olhar para trás e reverenciar o meu passado e os meus antepassados. Meus erros e derrotas. Meus vícios e fraquezas.

Obrigada a tudo e a todos que passaram pelo meu caminho. Os carrego sob a forma de aprendizado e autoconhecimento. A luz que projeto no meu futuro é fruto das sombras que deixo para trás.

Livremo-nos das amarras! De preferência, as mentais.

Filhotes

crianças-animais-brincando-pinturas-Amberlee_Rosolowich

Ela cresceu na selva de pedra. Cercada de feras de todos os tipos e em total harmonia com o seu meio ambiente: barulho de carros, stress e competitividade. Tudo muito concreto.

Sua relação com o mundo animal incluia alguns cachorros e duas tartarugas de estimação que ganhou na adolescência. Nada de cavalgadas, nada de mergulhos, nada que envolvesse ela e um outro ser de patas, escamas ou penas. Inclusive pombos, que lhe davam nojo…

Até o dia em que sua filha nasceu e chegou aos 2 anos com medo da vida que se manifestava ao seu redor, o que lhe causou um pouco de culpa e tristeza.

E foi pelo amor a um ser humano que ela descobriu o amor pelos outros seres vivos. Num domingo de sol, levou a família para passear em uma fazendinha a poucos quilômetros da selva de pedra. Alimentou bezerros e cabritos, fez carinho em ovelhas e carneiros, brincou com patos, galinhas e perus, andou a cavalo, andou descalça, andou feliz…

Tudo isso para que a sua própria cria pudesse crescer saudável e um dia, deixar de ser humana para apenas Ser, integralmente e em harmonia com o Todo.

Sonhos

sonhos

Nos sonhos nos libertamos dos nossos limites físicos. Estamos aqui e acolá. Somos oniscientes e onipresentes. Já a onipotência, depende do grau de liberdade de cada um.

Nos sonhos recebemos respostas de perguntas que podem ou não terem sido feitas. Mergulhamos em um mar de conhecimento sobre nós mesmos e sobre o mundo ao nosso redor. Nos tornamos conscientes daquilo que, acordados, somos inconscientes. Sonhamos quando acordados. Acordamos enquanto dormimos.

A linha tênue que separa o mundo da vigília do onírico é tecida com as nossas crenças sobre a realidade. Quanto menos sei de mim, menos confio nos sonhos. Quanto mais aprendi, mais me permito sonhar. E me lembrar depois de desperto porque o véu que separa esses mundos é mais transparente.

Trazer para a vigília o conteúdo dos sonhos é buscar respostas em um mundo livre de perguntas limitantes. O corpo dorme, o espírito  não.