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Se…

eu e papai

Se o meu pai estivesse vivo, hoje ele completaria 90 anos!

Se o meu pai estivesse vivo, ele diria para eu não me afobar, que tudo tem sua hora certa para acontecer e que o tempo cura qualquer coisa.

Se o meu pai estivesse vivo, ele diria que quem não arrisca não petisca e que eu só saberia se uma coisa daria certo se tentasse.

Ele diria que a imaginação não vale de nada sem a iniciativa para tornar os sonhos em realidade.

Se o meu pai estivesse vivo, ele diria que desculpas não resolvem os problema e que “se não existe...”

Mas supondo que existisse e que eu pudesse dizer algo a ele, eu diria que ele continua vivo dentro de mim no meu coração e na minha memória. Eu diria que a minha caligrafia está cada dia mais parecida com a dele e que segundo a minha mãe, os dedos da minha mão também. Eu diria que o mundo continua igual a quando ele se foi, mas que eu mudei.

Eu lhe diria além de tudo, Feliz Aniversário e lhe desejaria muitos anos de VIDA!

Que seu espírito siga iluminado por onde quer que seja.

Parabéns e obrigada por tudo!

Eu Sou Harry Potter

harry potter
Em tempos de sucesso de Harry Potter e outros bruxos, percebi o quanto somos fascinados pela existência de palavras mágicas ou terapias milagrosas que possam garantir a nossa harmonia, tanto física quanto psicológica.

Buscamos religiões, filosofias, curandeiros, simpatias, cromoterapia, feng shui e qualquer coisa que nos liberte de energias negativas. Todas elas funcionam, desde que exista por trás uma coisinha mágica e poderosa: UM PENSAMENTO FORTE.

A Força está dentro de nós e não fora!

Basta um simples pensamento forte, determinado, um desejo interno de estar bem e pronto! A magia acontece.

Não precisamos de nenhum instrumento ou intermediário para nos conectar, mas podemos usá-los enquanto acharmos necessário. Enquanto não reconhecemos que somos FORTES E PODEROSOS POR NATUREZA!

Não precisamos de varinha mágica ou amuleto de proteção. Podemos andar de peito aberto desde que carreguemos conosco a certeza de quem somos e do que somos capazes.

Aprendi isso com meu pai. Num sonho.

Ano Novo

pomba

 

Hoje é um dia especial para a humanidade e já que sou humana, também seria para mim. E é, mas por outro motivo…

 

 

“Querido Papai, hoje é mais um dia de acertar as contas e relembrar como apliquei tudo o que aprendi com o senhor durante o ano que passou.

 

2008 foi um ano fácil. Vendi o carro, mudei de casa, entrei na Pós, me formei em PNL, fiquei noiva, comecei a dar palestras e comprei uma nova samambaia.

 

2008 foi um ano difícil. Abri mão de antigas convicções, desisti de salvar o mundo, me ralei um pouco tentando andar com as próprias pernas, tive medo de ser feliz, duvidei se realmente merecia tudo o que conquistei e menti para a minha homeopata, escondendo dela os antibióticos que eu tomei pra me curar da asma.

 

2008 chegou ao fim e como em todos os outros anos, me lembro do dia 31 de dezembro em que você se foi. As cinzas do seu corpo já tomaram o Atlântico há 9 anos, mas sua lembrança continua viva e forte dentro de mim. Continuo ouvindo os seus conselhos, sentindo os seus carinhos e me perguntando como posso melhorar para me parecer mais ainda com você. E é nessas horas que me lembro que por mais amor que eu sinta, somos pessoas diferentes. O senhor com o seu caminho, eu com o meu. Fomos parceiros de jornada nos meus 23 primeiros anos. Hoje, já não posso mais me amparar nos seus braços. Agora cai uma lágrima e só. Ano Novo é tempo de alegria.

 

Te desejo tudo de maravilhoso que desejaria a qualquer pessoa que eu estivesse abraçando nesse momento. Mais que saudade, sinto ORGULHO por ser sua filha e a cada novo ano eu me esmero para fazer valer os seus anos de dedicação e apoio. Espero que esteja aprendendo tantas coisas novas aí onde está, assim como eu por aqui.

 

Vai-se o corpo físico, pequeno, e fica a grandeza da sua existência na minha vida.

 

Te amo.”

Meu Gênesis

Queridos, há 06 anos escrevi a crônica abaixo. De todos os meus textos, esse é o mais especial. Quando tiverem o meu livro nas mãos, ele estará na primeira página. Leiam com carinho…

Pai

Tudo o que ele menos queria era ter filhos. A menina nasceu quando ele tinha 58 anos. Casar no papel não estava nos planos. Eles se casaram quando a filha completou 2 anos. Ter outro filho estava fora de cogitação. O menino nasceu quando ela fez 3. Ele nem deixou a mãe escolher o nome. Pôs o seu próprio, acrescido de Júnior no final. Agora ele tinha tudo o que nunca sonhara. Seus filhos passaram a ser inesperadamente a razão de sua vida.

A mãe, 32 anos mais jovem, saía para trabalhar enquanto ele preparava o almoço das crianças. Na sua idade era impossível conseguir outro emprego. Em uma entrevista, chegaram a dizer que não poderiam contratá-lo pois ele era melhor qualificado que a pessoa para quem trabalharia e poderia, assim, “roubar” rapidamente o cargo do chefe. Em outra ocasião decidiu mentir sobre a idade para conseguir a vaga. Aparentava 10 anos mais jovem. No auge do desespero, colocou sua coleção de livros antigos à venda. Ele achou que alguém ao passar pelo Largo do Arouche, poderia se interessar por filosofia alemã exposta na calçada.

As crianças cresceram e nunca questionaram por que o chocolate era partido em partes iguais. Saber dividir foi seu lema. Os filhos sempre acharam que o pai tinha muito dinheiro, que podia comprar tudo o que quisessem. Só depois de adultos perceberam que o pai lhes ensinara a serem humildes em seus pedidos. Na verdade, aquele homem imponente, alemão por nascimento e brasileiro de coração, que exerceu cargos executivos nos tempos áureos, sempre fora extremamente humilde quanto aos pedidos feitos a Deus. Primeiro pediu para morrer em lugar de seu irmão mais velho, seu ídolo, quando este estava doente. Depois pediu que Deus lhe concedesse saúde suficiente para continuar vivo e educar seus filhos. Agradeceu por seu primeiro pedido não ter sido atendido.

Não era religioso, mas nunca reclamava quando sua mulher trazia pastores, pais de santo ou espíritas para orar por sua saúde, que era frágil. Também nunca se negou a comer “bichinhos de amendoim” ou tomar chás de ervas milagrosas. Apesar de nunca ter presenciado algum, acreditava que milagres aconteciam. Estar vivo aos 79 anos era um.

Achava que seus filhos ainda não estavam preparados para absorver seus ensinamentos e resolveu deixar por escrito suas idéias para que eles as lessem de tempos em tempos. Achava que a sociedade já passara do tempo de cometer os mesmos erros e resolveu publicar suas idéias em um livro que vendeu apenas 2 exemplares. Enviou alguns livros para professores de sociologia, padres e advogados e esperou por opiniões sinceras. Todos concordavam com o que estava escrito, mas nenhum jamais o admitiu publicamente.

Incentivou seus filhos a lerem, viajarem e tirarem suas próprias conclusões sobre o mundo. A filha mais velha decidiu ser publicitária, o mais novo cientista político. Os dois estudaram em universidades públicas, não porque se achavam capazes de passar nos vestibulares, mas porque o pai os incentivou com o argumento de que não custava tentar, afinal, quem não arrisca, não petisca.

Vivia contando histórias de quando era jovem. Repetia as mesmas piadas e fazia os filhos rirem como se fosse a primeira vez que as estivessem ouvindo. Ninguém nunca teve coragem de dizer que já as sabiam de cor. Ficava muito sério quando falava sobre as vezes que ficou muito doente e achou que ia morrer. Afirmava que os anos terminados em 2 eram os piores. 1922, 32, 42 e assim sucessivamente. Faleceu no dia 31 de dezembro do ano 2 mil.

Sua filha tomou coragem e decidiu seguir os conselhos do pai e acreditar em seus sonhos: resolveu virar escritora. Não teve dúvidas sobre qual deveria ser o tema do primeiro texto, e batizou-o carinhosamente com o título de Pai.