Estou aprendendo a nadar golfinho (o antigo borboleta). Talvez porque eu precise melhorar o meu condicionamento físico, talvez porque meu noivo foi campeão na modalidade e quero deixá-lo orgulhoso. Quantas intenções existem por trás de um único gesto?
A primeira coisa que aprendi foi não lutar contra a água, mas usar seu movimento a meu favor. As ondulações que o estilo exige tornam-se muito mais fáceis e agradáveis quando me permito acompanhar a própria ondulação da água. Técnica e sensibilidade para encaixar os movimentos no momento correto. A força bruta deixo para aqueles que ainda acreditam ser possível dominar a natureza.
Mesmo dentro de uma piscina curta e rasa, me rendo ao poder da água. Ela me ensina a ser flexível, a superar meus limites e concentrar minhas forças no aperfeiçoamento dos movimentos. Ela me faz mergulhar no meu interior e enfrentar minhas ondas de insegurança.
Num dia quente como hoje em São Paulo, recorro à minha mestra água, que além de tudo o que me ensina, ainda me acaricia, refresca e revigora o meu humor. Esteja ela espalhada pelo oceano, concentrada em uma piscina do SESC ou caindo incessantemente pelo meu chuveiro.
