Não sabendo quem era, a menina se identificava com tudo ao redor. Achava que era as roupas que vestia, os sapatos que calçava e os cortes de cabelo que usava.
Achava que era o número do seu RG, a sequência do seu CPF e o saldo da sua conta bancária.
Por um tempo teve a ilusão de que era a aluna mais aplicada, a filha mais querida e a melhor namorada do mundo.
Chegou mesmo a acreditar que era uma formiga num formigueiro, uma agulha no palheiro, uma peça fundamental num tabuleiro.
Até que um dia descobriu que não era nada disso… jogou fora o nome, o sobrenome e o apelido. Abandonou os rótulos, a matéria e as crenças.
E então, depois de descobrir tudo o que não era, a menina não se identificou com mais nada.
Sorrindo com os lábios e com os olhos, ela respirou aliviada ao REconhecer que era e sempre será, a única coisa que lhe restava ser: a obra mais linda e amada de Deus, criada à Sua imagem e semelhança.


