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Identificação


Não sabendo quem era, a menina se identificava com tudo ao redor. Achava que era as roupas que vestia, os sapatos que calçava e os cortes de cabelo que usava.

Achava que era o número do seu RG, a sequência do seu CPF e o saldo da sua conta bancária.

Por um tempo teve a ilusão de que era a aluna mais aplicada, a filha mais querida e a melhor namorada do mundo.

Chegou mesmo a acreditar que era uma formiga num formigueiro, uma agulha no palheiro, uma peça fundamental num tabuleiro.

Até que um dia descobriu que não era nada disso… jogou fora o nome, o sobrenome e o apelido. Abandonou os rótulos, a matéria e as crenças.

E então, depois de descobrir tudo o que não era, a menina não se identificou com mais nada.

Sorrindo com os  lábios e com os olhos, ela respirou aliviada ao REconhecer que era e sempre será, a única coisa que lhe restava ser: a obra mais linda e amada de Deus, criada à Sua imagem e semelhança.

Ser criança

bebe

A menina sonhava virar adulta. Queria ser responsável por seus atos, não depender de ninguém e gritar para os quatro ventos que era ela quem decidia o seu futuro.

O tempo foi passando e a menina crescendo, mas nada de virar adulta. Fez faculdade, foi morar sozinha, arrumou um bom emprego, adotou um cachorro, casou-se e mesmo assim, continuou criança.

Cada vez que olhava para si e percebia sua condição infantil, berrava, birrava, emburrava e esbravejava. Assim como qualquer um que se considera adulto e é contrariado.

Depois de vários chiliques, a menina percebeu que deixar de ser criança implicava muito mais do que pagar contas e bater ponto no trabalho. Percebeu que apesar de não brincar mais de boneca, colecionava novos brinquedos, como celular, carro e notebook. Assim como qualquer um que se considera adulto e é economicamente ativo.

A menina percebeu que diante da grandeza do universo, era apenas uma minúscula célula, de um minúsculo organismo chamado Terra, situado num minúsculo sistema solar. Um dos vários.

E foi assim que ela encarou pela primeira vez sua eterna condição de criança, filha de um Pai criador desse imenso universo. Resolveu parar de se levar tanto a sério e começar a se divertir.

Como não queria ofender a ninguém, brincava de ser adulta sempre que necessário. Vestia-se como adulta, falava como adulta, trabalhava como adulta. Mas quando podia, fazia questão de se sujar na terra, de tomar banho de chuva e de fechar os olhos para sentir a brisa passar.

O que mais podia fazer uma criança que ganhou de presente do Pai um mundo inteiro para brincar?

post em homenagem ao mês das crianças…

Conversa com Deus

Durante uma prece, eu disse para Deus: “Apesar das reclamações, minha vida é ótima”. E Deus falou comigo: “Então não reclame!”

 

PS: o diálogo acima é verídico, tirando o fato de que Deus no caso, falou comigo através das palavras do meu noivo.