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Bolhas de sabão

Atendendo aos pedidos do meu sogro e do meu terapeuta, voltei a escrever.

Estava correndo atrás de um sonho grande, enorme mesmo! Um sonho lindo, porque não é só meu. Um sonho, que de sonho não tem nada, já que ele tem sido a minha realidade, 25 horas por dia, 9 dias por semana, 33 dias por mês. Tenho dedicado ao meu sonho todo o tempo que tenho e que não tenho.

Nesse processo, descobri que sei muito mais do que imaginava, como se um compartimento secreto tivesse se aberto dentro de mim e libertado tudo o que eu preciso saber, no momento em que preciso saber. Como se houvesse um Pai enorme e amoroso, me dizendo: “então agora você quer brincar de casinha? Faz assim, ó”. “Quer brincar de empresária, empreendedora, dona do seu próprio negócio e do seu nariz? Então faz desse jeito”. “Quer brincar de dinheirinho, pra poder gastar viajando e visitando um montão de lugares legais? Então faz isso, isso e isso!”

E mesmo provando na prática que tenho todas as ferramentas, conhecimentos e oportunidades de que necessito para realizar o meu sonho, acredita que ainda sinto medo? Às vezes ele se disfarça num sono inexplicável durante o dia, outras vezes em fome fora de hora e até, imagine só, em excesso de atividades: eu me distraio fazendo um montão de coisas para não fazer aquilo que realmente interessa!

Há algum tempo eu escolhi parar de fugir do medo e ouvir o que ele tem a me dizer. E de uma forma tão estranha, ele me diz coisas tão bonitas a respeito de mim! O medo que sinto me dá vontade de me por no colo e de me embalar sussurrando baixinho: está tudo bem, está tudo bem, sempre esteve…

O medo é como bolha de sabão: vazio! Pode até ter um leve colorido, nos entreter por alguns segundos e desviar a nossa atenção, mas ele é frágil, muuuito frágil, principalmente diante de uma mente forte, capaz de dissipá-lo com apenas um estalar de dedos…

Vira-lata

Resolvi, assim como todo mundo (leia-se toda mulher), emagrecer para o verão e ficar bem dentro de um biquíni. Minha primeira medida foi caminhar para qualquer lugar que eu precisasse ir. Ida ao banco: mais ou menos 1 km. Ida e volta à copiadora: uns 2 km. E assim foi.

Enquanto voltava pra casa, suando e pensando em quantas calorias eu havia queimado, percebi que estava sendo seguida por um vira-lata. Minha reação imediata foi enxotá-lo do meu caminho. Não funcionou…

O cãozinho revezava andando à minha frente, ao meu lado, atrás, mas sempre próximo de mim. Me senti incomodada pela companhia, mas no fundo um pouco lisonjeada. Dentre tantas pessoas na rua, ele escolheu A MIM!

Não preciso nem dizer que todas as minhas tentativas de afastá-lo foram em vão. Não importa o que eu fizesse ou dissesse, a energia que eu estava projetando era de consentimento. Quando o vi revirando sacos de lixo em busca de comida, pensei que se ele me seguisse até a minha casa, eu lhe daria um pouco de ração. A partir daí o cachorro não me largou mesmo!

E foi aí que a mágica aconteceu. Aquele vira-lata que estava me incomodando com a sua simples presença acabou me dando uma grande lição: ele estava aberto e receptivo para qualquer carinho e atenção. Sem julgamentos, sem questionamentos. Você pode me ajudar? Eu aceito.

Obrigada pela oportunidade de ter sido útil (sim! Ele me seguiu até a minha casa e eu lhe dei comida…).

 Talvez eu também precise me tornar mais aberta e receptiva para receber carinho e atenção do universo. Sem julgamentos e questionamentos. Eu aceito.

Dia do Professor

professora

15 de outubro é o Dia do Professor, data em que recebo flores e bombons dos meu alunos. Data em que me recordo daquelas pessoas que passaram pelo meu caminho e me ensinaram algo.

Dentre os motivos que me fizeram sujar as mãos de giz e gastar um dinheirão com livros, está o fato de um dia, apresentando um trabalho na sala de aula, um professor querido ter me dito que eu parecia colocar amor na minha apresentação e que se eu quisesse, poderia me tornar uma professora. Fiquei empolgada com o elogio, mas nunca fui atrás de uma classe para ensinar. A classe veio até mim, quando me convidaram para assumir uma turma no meio do ano.

Enquanto sonhava me tornar professora, fui uma aluna muito aplicada da vida, aprendendo tudo o que eu pudesse com a esperança de um dia passar esse conhecimento adiante. Não sei o número exato, mas já dei aula para algumas centenas de pessoas: jovens, velhas, carentes, interessadas, perdidas…

A cada um de vocês que foi ou é meu aluno, deixo o meu MUITO OBRIGADA! Mais do que ensinar, tive a oportunidade de APRENDER com cada um de vocês.

E aos meus professores, reafirmo o compromisso de fazer valer tudo o que aprendi com eles! Porque para mim, professor não é apenas aquele da sala de aula, mas qualquer pessoa que se dispõe a compartilhar seu conhecimento.

Mais que professora, quero seguir sendo uma eterna aprendiz…

O menino e a borboleta

borboleta
O menino acordou inspirado e decidiu que naquele dia ensinaria borboletas a voar. Saiu correndo para o jardim e procurou a árvore mais próxima para saber se havia algum casulo por lá. Encontrou alguns ninhos de passarinho, uma casa de joão-de-barro e outra de marimbondos, mas nenhum casulo.

Resolveu correr pelas redondezas e ver se encontrava alguma borboleta, pois naquele dia, ele acordara inspirado a ensinar a voar. Procurou por aqui, procurou por lá e nada de encontrar.

Passou a tarde, chegou a noite e nenhuma borboleta… nenhuma só borboleta, cinza e pequena que fosse, sem cor, com a antena quebrada ou asa dobrada.

O menino só queria encontrar uma única borboleta disposta a aprender a voar.

Quando chegou em casa, cansado de tanto procurar, o menino resolveu se deitar mas não conseguiu. Alguma coisa o incomodava em suas costas. Era um par de asas…

E de repente, o menino descobriu o motivo: ele próprio tinha virado borboleta, tinha saído do casulo pela primeira vez, no momento em que decidiu ensinar outros a voar.

Escritores da Liberdade

freedomwriters

Que vontade de escrever! Que vontade de ser livre! Acabei de assistir a um filme maravilhoso, inspirador, principalmente para pessoas que como eu são professores.

ESCRITORES DA LIBERDADE, baseado em uma história real, conta como uma professora inexperiente, dotada apenas de amor e boa vontade consegue mudar o destino de alunos “problemáticos”, leia-se pobres, negros ou latinos.

Dá trabalho… lutar contra a correnteza.

Dá trabalho… acreditar que o nosso destino não está selado e temos capacidade para mudá-lo.

Dá trabalho… vencer os medos e inseguranças.

MAS VALE MUUUITO A PENA!

Depois de um tempão sem escrever, eu não podia deixar de passar adiante a história desses jovens. Inspiradora.

ps: muita aconteceu nesse um mês e meio, dentre elas terminei minha pós, comecei as gravações do meu novo programa e minha mãe se curou do câncer! Prometo contar tudo em breve. Só posso dizer que estou muito feliz em estar de volta. Senti saudades…

Volta às aulas!

lancheira

Se você já leu o meu perfil, sabe que sou professora universitária. A novidade é que agora sou a mais nova aluna do curso de Psicologia! Ontem acordei cedo, peguei meu lanchinho (uma nota de 10 reais) e fui para o meu primeiro dia de aula. Me sentei numa cadeira desconfortável e fiquei por horas ouvindo aquelas professoras… foi fascinante!

Por várias vezes eu me “assistia” falando, via aquelas mulheres usando as mesmas estratégias que eu para prender a atenção da classe e também escorrengando nos mesmos pontos… foi uma experiência maravilhosa poder trocar o meu ponto de vista. Afinal de contas, quantas vezes fazemos isso?

5 anos. Esse é o tempo que levarei estudando. Muito para alguns, justo para mim. Como posso me negar a estudar algo que desejo passar o resto da vida fazendo? Talvez aos 40 eu não seja mais Psicóloga, talvez aos 50 eu não seja mais professora, talvez aos 60 eu não seja mais palestrante, mas sempre serei um ser humano em constante evolução.

Beijão a todos e muito obrigada pelos selinhos, prometo que meu próximo post será sobre eles.

Frustrações…

nascer_do_sol

Que bom seria se tudo acontecesse do jeito que queremos. Ou não? Como aprenderíamos algo se ninguém nos mostrasse um ponto de vista além da nossa percepção?

Ouvir algo que não se gosta e ficar triste é fácil. Querer que o mundo se adeque as nossas regras e ficar irritado se isso não acontece é fácil. Choramingar se as pessoas não são como esperamos é fácil. É muito fácil… pra mim. Difícil é aceitar que todas essas experiências fazem parte do meu crescimento e que a compreensão delas me transforma numa pessoa melhor e mais madura.

Eu disse difícil e não impossível. É por isso que resolvi levantar da cama às 2 da manhã para deixar as frustrações do passado no dia de ontem. Quando acordar, Deus me presenteará com um novo dia cheio de possibilidades. Não posso desperdiçar tal privilégio…

Frio na barriga…

casulo

A estréia do programa foi um sucesso, melhor do que o esperado! Fechei uma porta com cuidado, prestando atenção para não trancá-la e escancarei outra rumo a novos desafios… frio na barriga!

O novo assusta, chega até a incomodar, mas nos dá a certeza de que não estamos parados, estagnados.

Mudar requer flexibilidade e desapego. Mudar às vezes dói, mexe em feridas que pareciam cicatrizadas e sonhos que pareciam ter desaparecido. Eu mudei. Eu mudo. Eu mudarei. Por que a única garantia que tenho nessa vida é de nada permanece igual.

Se nasci para ser Barbara, como posso me contentar em ser qualquer coisa diferente disso? Ainda não conheço a pessoa que estou me tornando, mas desconfio que essa nova Barbara precisa de amplo espaço para bater sua asas…

A água em nós

Estou aprendendo a nadar golfinho (o antigo borboleta). Talvez porque eu precise melhorar o meu condicionamento físico, talvez porque meu noivo foi campeão na modalidade e quero deixá-lo orgulhoso. Quantas intenções existem por trás de um único gesto?

A primeira coisa que aprendi foi não lutar contra a água, mas usar seu movimento a meu favor. As ondulações que o estilo exige tornam-se muito mais fáceis e agradáveis quando me permito acompanhar a própria ondulação da água. Técnica e sensibilidade para encaixar os movimentos no momento correto. A força bruta deixo para aqueles que ainda acreditam ser possível dominar a natureza.

Mesmo dentro de uma piscina curta e rasa, me rendo ao poder da água. Ela me ensina a ser flexível, a superar meus limites e concentrar minhas forças no aperfeiçoamento dos movimentos. Ela me faz mergulhar no meu interior e enfrentar minhas ondas de insegurança.

Num dia quente como hoje em São Paulo, recorro à minha mestra água, que além de tudo o que me ensina, ainda me acaricia, refresca e revigora o meu humor.  Esteja ela espalhada pelo oceano, concentrada em uma piscina do SESC ou caindo incessantemente pelo meu chuveiro.

Mestres e discípulos

A moça chegou à cidade e descobriu seu mestre. Passou a partir daquele momento, a ter contrações de alegria toda vez que o encontrava. Sentia vontade de perguntar tantas coisas sobre a vida, mas tinha medo de incomodá-lo. Tinha medo de falar bobagem, tinha medo de não agradar. Tinha medo de tanta coisa… E quando se deu conta disso, deu seu salto mais ousado: passou a tratar a ele e a todas as outras pessoas com a mesma espontaneidade, já que em essência, eram todos iguais.

Um dia, olhando novamente para seu mestre, feliz por ser sua discípula, percebeu nele um singelo sorriso no olhar. Humildemente ele lhe demonstrava que lhe era grato por tê-la servido durante um período. No papel de mestre, não lhe cabia outra coisa a não ser servir.

Muitos mestres já haviam passado pelo caminho da moça, alguns deles  disfarçados de completos desconhecidos. Porque sabendo ela ou não, estava destinada por escolha própria a ter o privilégio de ser uma eterna aprendiz.