
Acordei um dia procurando o amor. Revirei algumas gavetas velhas, procurei dentro de caixinhas quebradas, abri álbuns de fotos que não lembrava ter tirado… E o amor não estava lá. Em compensação achei mágoa, remorsos e outros sentimentos empoeirados que eu jurava não sentir mais. Busquei o amor em todos os locais conhecidos, seguros, onde seria difícil me perder. Mas ele não estava lá.
Um dia, cansada de tanto procurar e frustrada por saber que o amor existe, mas não saber onde ele está, desisti de procurar. Nesse dia resolvi consertar as gavetas quebradas, tirar a poeira dos álbuns e jogar fora tudo aquilo que já não valia mais a pena guardar. Aí sobrou espaço dentro da casa. Espaço aberto, arejado, banhado por ar fresco, leve, gostoso de respirar.
E conforme o meu corpo se enchia dessa substância incolor e inodora, meu espírito se enchia de cor. A princípio tons pastéis, quase transparentes, pouco a pouco transformados em carmim, azul royal, verde bandeira e amarelo ouro. Tudo ao meu redor reluzia, vibrava. Foi quando eu percebi o amor. E para minha surpresa, o amor não estava lá… ele apenas ESTAVA. Em todos os lugares onde eu pudesse ver. Ao meu redor, na frente, em cima, embaixo, dos lados. O amor estava. Onde sempre esteve. Quase como um ato de respirar. Primeiro ofegante, depois mais e mais suave. Sutil.
Eu podia sentir o amor se espargir por todas as minhas células. Ele me penetrava, transpassava, invadia meus cantos mais escuros e limpava o lugar. O amor era eu. E era tudo ao meu redor. O amor era. O amor é. O amor está. Apenas está.
Respire fundo nesse momento e você irá senti-lo. Não fora, mas dentro. O amor está em você e em mim, porém, para se manifestar ele faz um único pedido: você tem que querê-lo. O amor está para quem quiser vê-lo e senti-lo. Em qualquer lugar. Agora e sempre. Só existe o amor.





