Lágrimas

Novembro 9, 2009 por Barbara Hilsenbeck

orvalho

Hoje eu vi um homem grande chorar.

Ele havia descoberto que merecia ser feliz. Percebeu depois de muito tempo que não existia nenhuma lei que o impedisse. Nem mesmo algumas várias, criadas por homens-meninos que brincam de poder. 

Percebeu que era único em todo o Universo, e por isso, não podia ser comparado a nada. Muito menos rotulado, classificado ou enquadrado.

Despediu o chefe, a professora, o pastor e a televisão. Mas antes lhes agradeceu por tudo. A partir daquele m0mento, ninguém mais o comandaria, ensinaria o que é certo ou errado ou lhe diria como viver.

Jogou fora todo o supérfluo que lhe consumia a vida. Precisava de espaço para receber todas as bênçãos de Deus.

Ao ver o homem grande chorar, eu também chorei. Se somos feitos do mesmo barro e recebemos o mesmo sopro divino do Pai, então, também eu mereço ser feliz.

Com suas lágrimas, o homem grande diluiu meus medos.

PS: se quiser fazer o mesmo, eu lhe empresto as minhas!

Finados

Novembro 5, 2009 por Barbara Hilsenbeck

espirito

No meu calendário não existe Dia de Finados.

Nenhuma pessoa que amo jamais morreu. Meu pai e tantos outros continuam vivos no meu coração.

Algumas pessoas a quem tenho profundo carinho nasceram séculos, milênios antes de mim. E ainda assim continuam vivas no meu pensamento.  Com elas travo diálogos, faço questionamento e mais do que tudo, as agradeço pelos ensinamentos deixados!

Não é porque a carne pereceu que alguém está morto. Não é porque o corpo se move que alguém está vivo. Infelizmente, temos vários mortos circulando por aí. Pessoas que acordam, trabalham, estudam, mas não vivem…

Toda morte é um recomeço. Que seja hoje o dia do renascimento!

Que renasça a esperança no futuro.

Que renasça a alegria de viver.

Que renasça a coragem de assumirmos que somos grandes. Seres divinos, criados à imagem e semalhança de Deus.

só assim estaremos vivo…

Ser criança

Outubro 30, 2009 por Barbara Hilsenbeck

bebe

A menina sonhava virar adulta. Queria ser responsável por seus atos, não depender de ninguém e gritar para os quatro ventos que era ela quem decidia o seu futuro.

O tempo foi passando e a menina crescendo, mas nada de virar adulta. Fez faculdade, foi morar sozinha, arrumou um bom emprego, adotou um cachorro, casou-se e mesmo assim, continuou criança.

Cada vez que olhava para si e percebia sua condição infantil, berrava, birrava, emburrava e esbravejava. Assim como qualquer um que se considera adulto e é contrariado.

Depois de vários chiliques, a menina percebeu que deixar de ser criança implicava muito mais do que pagar contas e bater ponto no trabalho. Percebeu que apesar de não brincar mais de boneca, colecionava novos brinquedos, como celular, carro e notebook. Assim como qualquer um que se considera adulto e é economicamente ativo.

A menina percebeu que diante da grandeza do universo, era apenas uma minúscula célula, de um minúsculo organismo chamado Terra, situado num minúsculo sistema solar. Um dos vários.

E foi assim que ela encarou pela primeira vez sua eterna condição de criança, filha de um Pai criador desse imenso universo. Resolveu parar de se levar tanto a sério e começar a se divertir.

Como não queria ofender a ninguém, brincava de ser adulta sempre que necessário. Vestia-se como adulta, falava como adulta, trabalhava como adulta. Mas quando podia, fazia questão de se sujar na terra, de tomar banho de chuva e de fechar os olhos para sentir a brisa passar.

O que mais podia fazer uma criança que ganhou de presente do Pai um mundo inteiro para brincar?

post em homenagem ao mês das crianças…

Programa Piloto 3

Outubro 29, 2009 por Barbara Hilsenbeck

Quer dançar comigo?

Outubro 27, 2009 por Barbara Hilsenbeck

dança

A moça chegou em casa às 23:37. Dia difícil. Jornada dupla para pagar as contas, suas e dos cachorros que acostumaram-se a comer ração de primeira. Queria arrancar os sapatos, arrancar a roupa, arrancar as lembranças do dia que passou…

Desceu do carro, virou-se para pegar a bolsa, o casaco, o guarda-chuva e outras tranqueiras jogadas no banco de trás, mas antes que pudesse fazer isso, foi pega de surpresa por seu marido que lhe puxou o braço e lhe chamou para dançar. Assim mesmo, no meio da garagem, em frente a casinha alugada. A música vinha do i-pod, do minúsculo fone de ouvido compartilhado pelos dois.

De começo a moça achou meio constrangedor, o que os vizinhos do prédio ao lado pensariam? Olhou para o céu sem estrelas, cheio de nuvens e nenhuma lua cheia e pensou que nada daquilo lhe inspirava romantismo. A não ser o sorriso no rosto do seu marido e o sincero desejo dele em lhe proporcionar um momento de alegria. Deixou-se levar…

Um passo para cá, dois para lá. Um tropeço aqui e outro acolá. O jovem casal rodopiava pela garagem alheio aos olhares curiosos. Pouco a pouco as luzes das janelas foram se apagando, cada vizinho buscando o sono em meio à escuridão. E se lá no alto, as pessoas iam adormecendo, lá embaixo na garagem da casinha alugada, a luz que irradiava do casal ia aumentando. A cada passo eles se sentiam mais despertos, mais vivos, mais livres, mais cúmplices.

Às vezes a vida lhes impunha dias difíceis, lhes obrigava a dançar conforme a música. Mal sabia a vida que para eles, qualquer música era desculpa para dançarem juntos…

Programa Piloto 2

Outubro 20, 2009 por Barbara Hilsenbeck

Dia do Professor

Outubro 15, 2009 por Barbara Hilsenbeck

professora

15 de outubro é o Dia do Professor, data em que recebo flores e bombons dos meu alunos. Data em que me recordo daquelas pessoas que passaram pelo meu caminho e me ensinaram algo.

Dentre os motivos que me fizeram sujar as mãos de giz e gastar um dinheirão com livros, está o fato de um dia, apresentando um trabalho na sala de aula, um professor querido ter me dito que eu parecia colocar amor na minha apresentação e que se eu quisesse, poderia me tornar uma professora. Fiquei empolgada com o elogio, mas nunca fui atrás de uma classe para ensinar. A classe veio até mim, quando me convidaram para assumir uma turma no meio do ano.

Enquanto sonhava me tornar professora, fui uma aluna muito aplicada da vida, aprendendo tudo o que eu pudesse com a esperança de um dia passar esse conhecimento adiante. Não sei o número exato, mas já dei aula para algumas centenas de pessoas: jovens, velhas, carentes, interessadas, perdidas…

A cada um de vocês que foi ou é meu aluno, deixo o meu MUITO OBRIGADA! Mais do que ensinar, tive a oportunidade de APRENDER com cada um de vocês.

E aos meus professores, reafirmo o compromisso de fazer valer tudo o que aprendi com eles! Porque para mim, professor não é apenas aquele da sala de aula, mas qualquer pessoa que se dispõe a compartilhar seu conhecimento.

Mais que professora, quero seguir sendo uma eterna aprendiz…

PALESTRA

Outubro 14, 2009 por Barbara Hilsenbeck

cartaz aprendendo a gostar de si mesmo

Estão todos convidados! Se puderem, peço que me ajudem a divulgar…

Abraços.

Se…

Outubro 7, 2009 por Barbara Hilsenbeck

eu e papai

Se o meu pai estivesse vivo, hoje ele completaria 90 anos!

Se o meu pai estivesse vivo, ele diria para eu não me afobar, que tudo tem sua hora certa para acontecer e que o tempo cura qualquer coisa.

Se o meu pai estivesse vivo, ele diria que quem não arrisca não petisca e que eu só saberia se uma coisa daria certo se tentasse.

Ele diria que a imaginação não vale de nada sem a iniciativa para tornar os sonhos em realidade.

Se o meu pai estivesse vivo, ele diria que desculpas não resolvem os problema e que “se não existe...”

Mas supondo que existisse e que eu pudesse dizer algo a ele, eu diria que ele continua vivo dentro de mim no meu coração e na minha memória. Eu diria que a minha caligrafia está cada dia mais parecida com a dele e que segundo a minha mãe, os dedos da minha mão também. Eu diria que o mundo continua igual a quando ele se foi, mas que eu mudei.

Eu lhe diria além de tudo, Feliz Aniversário e lhe desejaria muitos anos de VIDA!

Que seu espírito siga iluminado por onde quer que seja.

Parabéns e obrigada por tudo!

Onde está o amor

Outubro 6, 2009 por Barbara Hilsenbeck

coracao
Acordei um dia procurando o amor. Revirei algumas gavetas velhas, procurei dentro de caixinhas quebradas, abri álbuns de fotos que não lembrava ter tirado… E o amor não estava lá. Em compensação achei mágoa, remorsos e outros sentimentos empoeirados que eu jurava não sentir mais. Busquei o amor em todos os locais conhecidos, seguros, onde seria difícil me perder. Mas ele não estava lá.

Um dia, cansada de tanto procurar e frustrada por saber que o amor existe, mas não saber onde ele está, desisti de procurar. Nesse dia resolvi consertar as gavetas quebradas, tirar a poeira dos álbuns e jogar fora tudo aquilo que já não valia mais a pena guardar. Aí sobrou espaço dentro da casa. Espaço aberto, arejado, banhado por ar fresco, leve, gostoso de respirar.

E conforme o meu corpo se enchia dessa substância incolor e inodora, meu espírito se enchia de cor. A princípio tons pastéis, quase transparentes, pouco a pouco transformados em carmim, azul royal, verde bandeira e amarelo ouro. Tudo ao meu redor reluzia, vibrava. Foi quando eu percebi o amor. E para minha surpresa, o amor não estava lá… ele apenas ESTAVA. Em todos os lugares onde eu pudesse ver. Ao meu redor, na frente, em cima, embaixo, dos lados. O amor estava. Onde sempre esteve. Quase como um ato de respirar. Primeiro ofegante, depois mais e mais suave. Sutil.

Eu podia sentir o amor se espargir por todas as minhas células. Ele me penetrava, transpassava, invadia meus cantos mais escuros e limpava o lugar. O amor era eu. E era tudo ao meu redor. O amor era. O amor é. O amor está. Apenas está.

Respire fundo nesse momento e você irá senti-lo. Não fora, mas dentro. O amor está em você e em mim, porém, para se manifestar ele faz um único pedido: você tem que querê-lo. O amor está para quem quiser vê-lo e senti-lo. Em qualquer lugar. Agora e sempre. Só existe o amor.

Independência ou morte!

Setembro 28, 2009 por Barbara Hilsenbeck

como o mês de setembro ainda não acabou, acho que este post ainda está valendo…

independencia

Meu grito de independência não aconteceu às margens do rio Ipiranga, nem na esquina da São João com a Ipiranga e muito menos num posto de gasolina da marca Ipiranga.

Meu grito de independência não aconteceu num 7 de setembro e nem em nenhum outro feriado nacional. Foi num dia qualquer e só eu o ouvi.

Para me manter independente, meu grito segue reverberando continuamente por dentro de mim. Se ele se cala, corro o risco de achar que dependo da opinião e da aprovação dos outros para ser feliz. Isso seria a morte!

Meu grito de liberdade é o eco da voz de Deus que sussura em mim…

Livremo-nos das amarras! De preferência, as mentais.

E S P A Ç O

Setembro 26, 2009 por Barbara Hilsenbeck

casal

Ela achou que o mundo ia acabar. E ele só pediu mais espaço. Ela ficou perdida sem saber como voltar atrás e não sentir a vontade louca que sentia de estar sempre ao seu lado. E ele só pediu mais espaço. Ela sentiu uma dor no peito e passou a caminhar em falso, não mais do jeito natural que costumava fazer. Tudo porque ele pediu mais espaço. E mesmo sabendo que lá no fundo ele tinha razão e que os casais devem mesmo ter espaço para viver suas individualidades, ela não conseguiu mais esconder a total insegurança que sentia. Quando alguém está apaixonado, não significa que a outra parte também está, e mesmo que esteja, não significa que está disposta na mesma proporção a se comprometer. Ela sabia de tudo isso e meio sem jeito foi caminhando para trás, tentando retroceder os beijos e juras de amor que fizera, mas era impossível. Desejando desesperadamente exorcizar seus medos, resolveu escrever uma crônica, mas mesmo esse pedaço de história mal acabada, sentia dificuldade em terminar. Tinha receio de colocar um ponto final em qualquer coisa que se relacionasse a ele, por isso, preferiu terminar o texto com reticências, na esperança de deixar espaço suficiente para um final feliz…

PS: de tanto espaço que deu, a moça acabou sendo convidada pelo rapaz para enlaçarem suas vidas, até que a morte os separe.

Trem das 7

Setembro 21, 2009 por Barbara Hilsenbeck

trem lotado

O trem das 7 nunca sai no horário; sempre às 7:01 ou 7:03 dependendo do volume de pessoas que embarcam na estação. No trem das 7 não há espaço para sonhos, quando muito é possível carregar uma mochila bem apertada contra o peito, de preferência longe da área das portas, já que lá se concentra a maior parte da multidão.

No trem das 7 se amontoam todos os dias pais de família,  garçonetes, estelionatários, estudantes do ensino médio e mais um montão de gente que se pudesse, ainda estaria debaixo das cobertas.

Entrar no trem das 7 não é privilégio de ninguém, basta dar umas cotoveladas e se espremer no espaço entre as portas do vagão. Sair dele com os sonhos ilesos e a dignidade intacta, isso sim, é para os fortes.

Quando se tem um objetivo, nem sempre é fácil o percurso até ele. Às vezes, dá vontade de descer na próxima estação e voltar para a nossa zona de conforto. Felizmente, o trem da vida segue sempre em direção ao futuro.

Se somos passageiros nesse trem, mais passageiros ainda são os nossos problemas…

Se no meio da muvuca você compreender isso e começar a prestar atenção ao seu redor, é capaz de ouvir vazando do fone de ouvido de alguém ao lado a seguinte canção: “and I think to myself, what a wonderful world…”

Ao andarilho desconhecido

Setembro 17, 2009 por Barbara Hilsenbeck

marginal

Todos os dias pela manhã passo pela Marginal Pinheiros em direção à faculdade. Sempre às 7:20, 7:30 ou 7:40 quando a cama está muito gostosa. Na maioria das vezes, dia sim e outro também, vejo andando pelo canteiro central um homem vestindo sempre a mesma roupa: camiseta preta desbotada, bermuda jeans rasgada e uma botina de couro tão surrada quanto o saco que ele carrega nas costas. Sua expressão é sempre sisuda e ele parece caminhar alheio ao trânsito caótico que corre a poucos metros de si.

A primeira vez que o vi, achei que fosse um morador de rua perambulando sem rumo. Confesso que não dei muita bola. Nas vezes seguintes, comecei a reparar que ele caminhava com muita determinação em direção a não sei onde. Rapidamente, passei a criar expectativa se o veria naquela manhã. Quem seria ele? Para onde caminhava?

Eu não sei… só sei que agora cada vez que o vejo, buzino alegremente, saudando-o em sua caminhada na esperança silenciosa de que ele perceba a minha presença, assim como eu percebi a dele.

Talvez ele seja invisível aos outros milhares de motoristas que cruzam o seu caminho, mas se vale de alguma coisa, eu seguirei buzinando ao andarilho desconhecido todas as vezes que o encontrar, mesmo que ele não perceba. Que você chegue aonde deseja e encontre o que procura, meu caro amigo anônimo!

Eu também sigo o meu caminho em direção a algo. Mas a estrada que pego, segue direto ao autoconhecimento (passando às vezes por congestionamento de sentimentos e emoções). Cada um encontra aquilo que procura…

Não basta ser esposa, tem que participar!

Setembro 13, 2009 por Barbara Hilsenbeck

Quando a gente se casa, é normal fazermos votos dizendo que estaremos juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza. Eu escolhi também estar junto nos sonhos, sejam eles, pequenos, grandes, enormes ou gigantes…

Quem puder ir, está feito o convite.

Beijo enorme.

show Corleonne