A menina não sabia se queria uma festa cheia de balões coloridos ou uma viagem para um retiro espiritual. Desejava comemorar o seu aniversário de uma forma diferente. Podia encher a casa de gente estranha e bebida barata ou isolar-se do mundo para meditar.
Não fez nenhum nem outro. Acordou tarde num dia chuvoso, tomou um banho preguiçoso e foi almoçar com a pequena família num restaurante self-service japonês. Sushi, tempurá e feijoada por 35 reais o quilo. Durante o almoço ajudou a cantar parabéns para outra pessoa.
Ao longo do dia recebeu o telefonema de um amigo, outro de um parente e uma mensagem no celular. Ganhou da mãe uma blusa de lã de presente. No aniversário do ano anterior havia ganhado um anel de noivado. Neste, recebeu uma rosa vermelha do marido.
Nessa data querida não apagou velinhas, não foi o centro das atenções, não fez pedido e nem dedicou o primeiro pedaço de bolo a ninguém. E sinceramente, não sentiu a menor falta de nada disso.
Voltou para casa e olhou-se no espelho satisfeita com o que via. Tinha chegado aos 32 anos de uma forma bonita. Amando e sendo amada, ensinando e aprendendo, caindo e seguindo em frente.
Teve um Feliz Aniversário.










