
A menina sonhava virar adulta. Queria ser responsável por seus atos, não depender de ninguém e gritar para os quatro ventos que era ela quem decidia o seu futuro.
O tempo foi passando e a menina crescendo, mas nada de virar adulta. Fez faculdade, foi morar sozinha, arrumou um bom emprego, adotou um cachorro, casou-se e mesmo assim, continuou criança.
Cada vez que olhava para si e percebia sua condição infantil, berrava, birrava, emburrava e esbravejava. Assim como qualquer um que se considera adulto e é contrariado.
Depois de vários chiliques, a menina percebeu que deixar de ser criança implicava muito mais do que pagar contas e bater ponto no trabalho. Percebeu que apesar de não brincar mais de boneca, colecionava novos brinquedos, como celular, carro e notebook. Assim como qualquer um que se considera adulto e é economicamente ativo.
A menina percebeu que diante da grandeza do universo, era apenas uma minúscula célula, de um minúsculo organismo chamado Terra, situado num minúsculo sistema solar. Um dos vários.
E foi assim que ela encarou pela primeira vez sua eterna condição de criança, filha de um Pai criador desse imenso universo. Resolveu parar de se levar tanto a sério e começar a se divertir.
Como não queria ofender a ninguém, brincava de ser adulta sempre que necessário. Vestia-se como adulta, falava como adulta, trabalhava como adulta. Mas quando podia, fazia questão de se sujar na terra, de tomar banho de chuva e de fechar os olhos para sentir a brisa passar.
O que mais podia fazer uma criança que ganhou de presente do Pai um mundo inteiro para brincar?
post em homenagem ao mês das crianças…